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Zé Ibarra no Coala Portugal: quando a nova geração da MPB encontra a genialidade

today2 de Junho, 2026 1

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Se você ainda não conhece Zé Ibarra, talvez seja hora de corrigir essa falha grave no seu currículo musical.

Carioca, multi-instrumentista, compositor e dono de uma sensibilidade artística que parece ter vindo de outra época, Zé começou sua trajetória na banda Dônica antes de integrar o Bala Desejo, grupo que conquistou o Grammy Latino em 2022 com o álbum “Sim Sim Sim”. Ao lado de nomes como Ana Frango Elétrico, ajudou a colocar uma nova geração da música brasileira no radar de quem acredita que a MPB continua viva, pulsante e em constante reinvenção.

Mas a trajetória dele impressiona ainda mais quando olhamos para quem cruzou seu caminho. Milton Nascimento o convidou para participar da histórica turnê do Clube da Esquina. Gal Costa o chamou para gravar “Nenhuma Dor”. Ney Matogrosso já elogiou publicamente seu talento. E tudo isso antes dos 30 anos.

Em 2025, Zé lançou o álbum solo “AFIM”, trabalho que lhe rendeu indicações ao Grammy Latino e ao Prêmio Multishow. Um disco delicado, sofisticado e profundamente brasileiro, daqueles que pedem silêncio para serem ouvidos e várias audições para serem compreendidos por inteiro.

Foi justamente o show do “AFIM” que desembarcou no Coala Festival Portugal.

E eu confesso: saí da entrevista ainda mais fascinada do que entrei.

Zé Ibarra tem uma combinação rara. É doce sem ser ingênuo. Provocador sem precisar levantar a voz. Encantador sem fazer esforço. Daquelas pessoas que parecem responder uma pergunta simples e, quando você percebe, já está refletindo sobre arte, vida e música de uma maneira diferente.

Existe uma tranquilidade nele que contrasta com a ousadia da própria obra. Porque suas músicas não seguem fórmulas. Elas convidam o ouvinte para outro lugar. E talvez seja justamente isso que mais me impressiona: em tempos de consumo rápido e refrões descartáveis, Zé escolhe criar música que permanece.

Assistindo ao show e conversando com ele, tive a sensação de estar diante de um artista que não está apenas construindo uma carreira. Está construindo uma obra.

E digo sem medo de exagerar: a música de Zé Ibarra já alcança um nível que nos faz lembrar dos grandes gênios da MPB. Não porque ele copie ninguém. Muito pelo contrário. Porque tem identidade própria, coragem artística e um talento que parece surgir naturalmente.

Daqui a alguns anos, provavelmente vamos olhar para trás e dizer que tivemos a sorte de acompanhar o início de algo muito especial.

Enquanto isso, aproveite a entrevista completa que gravamos no Coala Festival Portugal e descubra por que tanta gente importante da música brasileira já apostou nele.

Escrito por bora lá lisboa

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